Fui criado na campanha
Em rancho de barro e capim
Por isso é que eu canto assim
Pra relembrá meu passado
Eu me criei arremendado
Dormindo pelos galpão
Perto de um fogo de chão
Com os cabelo enfumaçado
Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira
Já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio
Relincha na estrevaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empulerada
Escuto o grito do sorro
E lá no piquete
Relincha o potro tordilho
Na boca da noite
Me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra inticá com a cachorrada
Eu sou um peão de estância nascido lá no galpão
E aprendi desde criança a honrar a tradição
Meu pai era um gaúcho que nunca conheceu luxo
Mas viveu folgado enfim e quando alguém perguntava
O que ele mais gostava o velho dizia assim
Churrasco bom chimarrão
Fandango trago e mulher
É disso que o velho gosta
É isso que o velho quer
Churrasco bom chimarrão
Fandango trago e mulher
É disso que o velho gosta
É isso que o velho quer
Trabalho a semana inteira numa changa que arrumei
Pra depois gastar na farra tudo o que eu arrecadei
Mas não importa quando gasto sou feliz
E na semana que vem faço de novo o que não fiz
Sou meio louco bagaceiro e bebo um pouco
Ninguém vai me segurar
Não quero trago de graça se bobear eu quebro a tasca
E faço o chinedo chorar
Não chora minha china véia não chora
Me desculpe se eu te esfolei com as minhas esporas
Não chora minha china véia não chora
Encosta a tua cabeça no meu ombro e esse bagual velho te consola
Não chora minha china véia não chora
Me desculpe se eu te esfolei com as minhas esporas
Não chora minha china véia não chora
Encosta a tua cabeça no meu ombro e esse bagual velho te consola
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Do Fundo da Grota / É Disso Que o Velho Gosta / China Véia