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Mala Amarela
Daniel



[Primeira Parte] Eram quatro e meia, passava um pouquinho O fosco clarinho rasgava o varjão Era o trem noturno que vinha apontando E logo parando na velha estação Meu corpo tremia, meus olhos molhados O meu pai do lado e a mala no chão Beijei o seu rosto e disse na hora O mundo lá fora me espera paizão [Segunda Parte] Entrei no vagão, corri pra janela A mala amarela do velho eu catei O trem deu partida, soqueou bruscamente E ali novamente sua mão eu beijei Um pouco pra diante vi minha casinha E a minha mãezinha de pé no portão Ela não me viu e do trem na corrida Ouvi as latidas do velho sultão [Terceira Parte] Um certo senhor da poltrona vizinha Dizia que vinha do Paranazão Me disse também num jeito cortês É a primeira vez que deixo o sertão Pedi seu conselho e ele me disse Seu moço a velhice é dura demais Eu sou bem mais velho e posso aconselhar É duro ficar distante dos pais [Quarta Parte] Eu nunca esqueci o que o velho falou O tempo passou e pra casa voltei Quem fica distante jamais se conforma Lá na plataforma meus pais avistei Desci comovido, abracei ele e ela E a mala amarela meu filho eu não vi Meu pai acredite na fala de um homem Pra não passar fome a mala eu vendi [Quinta Parte] Que pena, que pena, era minha lembrança Que eu trouxe de herança do seu avó Mas deixa pra lá, eu vou esquecer A herança é você e você já voltou